A direita como parte do universo da esquerda

« Por outro lado, não tenhamos a ilusão de que o actual poder político socialista socrático age deste modo com o fito de desviar a atenção da chamada opinião pública da situação calamitosa em que o país se encontra ao nível económico, financeiro e social. Supor tal é um erro em que incorre a falsa direita dos interesses, em Portugal personificada no PSD e CDS, adversa a combater numa guerra cultural cuja importância a sua tacanha mentalidade materialista de guarda-livros não atinge de todo em todo (…) »

Estou totalmente de acordo com esta ideia. Só não sei se a “direita” assume essa posição de diversão por pura ignorância ou por concordância e compadrio; é essa a minha dúvida. Também é verdade que Portugal tem sofrido pressões enormes tanto do parlamento europeu como da comissão europeia, onde o lobby gay é fortíssimo. A não complacência portuguesa atiraria o nosso pequeno país para o limbo em que vivem hoje os pequenos países como a Estónia e a Lituânia.

A mim parece-me que a direita portuguesa não é uma direita direita, mas é a negativa da negativa da direita, ou seja: [ − (− direita) ≡ direita ]. A direita portuguesa (como a espanhola) existe somente através da logicização da lógica e da abstracção dos símbolos em relação aos primeiros princípios. Acontece que, em política como na História, o que conta são as experiências, e não as ideias. E quando as experiências da direita se afastam dos princípios axiomáticos intuídos directa e empiricamente, e antes constrói um edifício lógico (como faz esquerda) que define a acção mas que é abstraído da experiência e exclusivamente escorado na racionalização ideológica, essa direita passa a ser uma não-esquerda ― passa a existir num universo lógico de esquerda:



Contudo, já não concordo com estoutra ideia:

« (… ) pois o regresso do Rei aproxima-se, como o indiciam todos os sinais exteriores do mundo contemporâneo, desde a sucessão de catástrofes naturais que têm vindo a ocorrer nos anos mais recentes (a última, o terramoto haitiano) até à apostasia generalizada das sociedades ocidentais outrora cristãs (o esfriamento da caridade entendida cristãmente como a atracção irresistível pela verdade). »

No Civitas Dei, Santo Agostinho distingue o amor sui do amor Dei e de tal forma que qualquer previsão do futuro é produto do amor sui. O “regresso do Rei” significa a imanentização do éschatos, que é o que a esquerda revolucionária faz, embora por outras vias, através da evolução do gnosticismo medieval até às diversas manifestações do gnosticismo moderno. O anúncio do “regresso do Rei” é uma manifestação de um tipo de gnosticismo escatológico pré-agostiniano que Santo Agostinho criticou através do “Civitas Dei”, e que ainda não tinha evoluído para o gnosticismo moderno. Foi exactamente a persistência na proclamação do próximo “regresso do Rei” que não acontecia, que levou à sublevação gnóstica a partir do século IX, e que teve o seu principal intérprete em Joaquim de Fiore dois séculos mais tarde. A partir daí, o movimento gnóstico instalou-se na própria Igreja Católica, actuando em paralelo com a doutrina oficial. E foi o movimento gnóstico católico, subversivo e oculto na própria hierarquia da ICAR, que esteve na origem da Reforma que esteve na génese da expansão gnóstica moderna.

Não nos compete anunciar o regresso do Rei. Só Ele sabe se deve regressar e, neste caso, quando deve regressar. Compete-nos apenas ter esperança.

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