A maçonaria europeia e as “teorias de conspiração”

Este artigo de Olavo de Carvalho chama a nossa atenção para a procura da verdade, o que significa a tentativa da eliminação do erro. Eu estou genericamente de acordo com o texto, embora esteja em desacordo com um pequeno detalhe que deixarei para o fim deste postal.

O rótulo de “teoria da conspiração” para as teses e teorias que desafiem a lógica de um sistema político, não é novo, mas sempre foi uma arma utilizada pela esquerda marxista. Acontece que essa cultura de desqualificação da crítica política entrou já na cultura popular, o que significa que a sociedade se “esquerdizou”, ou seja, a linguagem e o discurso marxistas já se entranharam na nossa cultura.

Assim, foi considerada como sendo uma “teoria da conspiração” a denúncia dos Gulag. Soljenitsyne foi o exemplo da encarnação da teoria da conspiração; praticamente toda a intelectualidade de esquerda ― que tem controlado as ideias na Europa e no mundo desde a II Guerra Mundial ― criticou o testemunho de Soljenitsyne como sendo uma teoria da conspiração. No entanto, a realidade dos Gulag veio a verificar-se.

Quando uma sociedade tende a fechar-se e a condicionar a liberdade de informação, como acontece hoje com a Nova Ordem Mundial e outros fenómenos políticos de que incluem o controlo da informação através da concentração da propriedade das empresas de comunicação social, devemos estar atentos às opiniões e testemunhos “marginais”, por mais absurdos que esses testemunhos ou opiniões possam parecer. Numa sociedade que tende a sistematicamente a utilizar a sub-informação para calar a verdadeira informação e a procura da verdade, tudo aquilo que é considerado pelos me®dia e pela intelectualidade como sendo “teoria da conspiração” deve merecer, pelo menos, a nossa análise crítica.

O problema que se coloca é o de saber distinguir aquilo que merece, desde logo, uma análise crítica, daquilo que não merece sequer uma leitura aturada. Por exemplo, o conteúdo deste blogue não merece qualquer credibilidade porque não tem sequer uma coerência lógica que se baseie em factos históricos conhecidos. Por outro lado, se existisse qualquer verosimilhança no texto do blogue, essa tese já teria sido explorada depois de 2000 anos de História após Jesus Cristo. Portanto, uma das características da teoria da conspiração que merece análise crítica, é que ela diz respeito ao presente ou a um passado recente, porque o passado histórico propriamente dito foi já objecto de muitas investigações que revelaram factualmente já muito daquilo que é possível revelar.


« Boa parte desse lixo editorial pode ser identificado à primeira vista por um traço comum: organiza montanhas de informações, linearmente coerentes ― mas protegidas de qualquer confronto com as informações adversas ― , para provar que todo o mal do mundo provém de uma determinada fonte em particular, que em si mesma nada tem de secreta. Os culpados de plantão full time são os judeus, a Maçonaria, a Igreja Católica, o Império Britânico e a CIA (a KGB é misteriosamente poupada: os livros contra ela acusam-na quase sempre de algum delito específico e até minimizam a dimensão do seu poder geral). »

Hillary Clinton e a simbologia

Olavo de Carvalho refere-se à maçonaria tendo, provavelmente, em consideração a noção de “maçonaria” que ele adquiriu da maçonaria brasileira e americana, que é diferente da maçonaria europeia, e principalmente da maçonaria francesa, espanhola e portuguesa. Entre as maçonarias destes três países existe uma “concordância” ideológica que advém directamente da revolução francesa, e que se reflectiu nos movimentos republicanos espanhóis e na Carbonária portuguesa [que assassinou o rei D. Carlos I] e implantou a república em 1910.

A maçonaria europeia em geral é internacionalista no sentido jacobino, e portanto, revolucionária; a maçonaria brasileira é nacionalista, e portanto, tradicional. Quando eu critico ferozmente a maçonaria portuguesa que se submete ao ideário das maçonarias espanhola e francesa, distingo perfeitamente as diversas maçonarias. Ninguém hoje tem alguma dúvida que a desnacionalização dos países da Europa, que se consubstancia na construção do leviatão europeu, é coordenada pela maçonaria europeia que controla a “esquerda moderada” (social-democracia) e a “direita liberal”.

A própria maçonaria americana está em mutação, quando os acólitos do partido de Obama aumentam a sua influência nas estruturas maçónicas. Uma das características da maçonaria tradicional americana era a da presença de muitos membros da comunidade evangélica (cristãos protestantes), o que tem vindo a diminuir nas duas últimas décadas. Podemos dizer que a maçonaria americana, em geral, se aproxima cada vez mais ― do ponto de vista ideológico ― da maçonaria europeia, e não o contrário.

Em suma, a crítica à maçonaria europeia ― e principalmente à maçonaria portuguesa ― como um dos principais actores da acção revolucionária na Europa, não é uma teoria da conspiração, é a constatação de uma verdade de facto.

Anúncios

1 Comentário

Filed under política

One response to “A maçonaria europeia e as “teorias de conspiração”

  1. Zé Carioca

    Discordo do mito comumente propagado de que “a maçonaria é um saco de gatos”.
    É verdade que, em caráter extraordinário, diferentes correntes maçônicas adotaram posições ativamente opostas em conflitos tão importantes como a Guerra de Secessão Americana e a Revolução Farroupilha no Brasil, contudo a maçonaria é, no geral, regida por princípios universalistas que se sobrepõem a divisões menores entre suas lojas e seus membros, transcendendo fronteiras geopolíticas, distâncias temporais e circunstâncias sócio-econômicas que a princípio provocariam cisões mil no movimento. Contrapor a maçonaria brasileira ou americana à portuguesa ou à francesa implicaria ilibar milhares de confrades pedreiros de suas (particip)ações e responsabilidades na decadência da civilização cristã ocidental.
    Noutras palavras, se “vêm todos do mesmo saco”, este será de farinha e não de gatos.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s