Sobre o delírio interpretativo da esquerda radical

Eu tenho uma grande dificuldade em falar das ideias do Daniel Oliveira [comentando este postal que fez referência a estoutro de minha lavra] senão em termos das “religiões políticas”. O problema de quem critica as ideias do Daniel Oliveira e quejandos, é que ao entrar no mesmo jogo retórico da “acção política” se esquecem da origem histórica e dos fundamentos epistemológicos gnósticos [religiosos, e portanto míticos] das religiões políticas, nomeadamente do marxismo.

O bloco de esquerda foi mal habituado pelos “liberais da economia”, pelos “socialistas-democráticos” e pelos me®dia manipulados por estes dois grupos, o que fez com que a racionalização ideológica [que é diferente de “racionalidade”] de pessoas como o Daniel Oliveira tivessem uma amplificação desmesurada na nossa sociedade. Enquanto a soma dos deputados do bloco de esquerda e do partido comunista for a que existe hoje, este país não sairá da crise económica instalada [quanto mais não seja por razões culturais], mas só agora os “libertários de direita” se deram conta de que fazer o jogo retórico do BE é a “morte do artista”.

O bloco de esquerda começou por ser uma associação de teóricos marxistas dissidentes e delirantes, ― adoptando um misto da Utopia Negativa e da Teoria Crítica da escola de Frankfurt, de um trotskismo libertário e da visão revolucionária a longo prazo de António Gramsci ―, passou a uma doutrina mais ou menos definida marxista cultural, e à medida em que cresce em número de deputados, é uma questão de tempo que se transforme em dogma.


« (…) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo.

A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) »

— Edgar Morin (“Pour sortir du XX siècle”, 1981)

A dúvida que eu tenho sobre a estratégia política delirante da esquerda radical, é a de saber, num futuro ainda incerto mas perfeitamente previsível, se serão os dissidentes ideológicos [como é o meu caso, que representam o pensamento do senso-comum da maioria do povo] fuzilados ou mandados para os novos Gulag em que o preso político passa a ser um número de matrícula, ou se nós os fuzilamos antes ― porque o projecto político do Daniel Oliveira e do bloco de esquerda em geral, entronca-se integralmente dentro do espírito revolucionário que foi a causa primeira dos totalitarismos e das hecatombes anti-humanistas do século XX.

Anúncios

Deixe um comentário

Filed under religiões políticas

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s