A instrumentalização do “casamento” gay por parte da esquerda

José Pacheco Pereira escreveu este artigo no jornal “Público” de Sábado passado. O artigo é muito bom, mas utiliza a palavra-mestra “homofobia”, não a definindo, por um lado, e não foi claro quanto à estratégia da esquerda radical que contaminou o partido socialista ― quando ele escreve que o PS “abriu a brecha por onde o Bloco de Esquerda entrou” ―, por outro lado.

As palavras-mestras ― como “fascista”, “reaccionário”, “homófobo”, “nazi”, etc. ― são por natureza redutoras e simplificadoras e conduzem ao pensamento único. Muitas vezes, as palavras-mestras afastam-se do seu sentido original ― então “faxisto”? Passam a ser o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim da ideia e de um conceito. São um meio para tornar imune a racionalização ideológica através da desqualificação dos críticos dessa ideologia. Invertem o maniqueísmo da moral (o bem e o mal) e tornam nula ou mesmo invertida a hierarquia dos valores éticos.

A palavra-mestra “homofobia” é “pau para toda a colher”, pode ser utilizada e aplicada em praticamente todas as situações de confronto ideológico, camaleoniza-se consoante as circunstâncias, assume uma ambiguidade não só de “situação” como de “princípios”. A simples repulsa pelo acto sexual homossexual passa a ser uma manifestação de “homofobia”: trata-se de uma ideologia (link).


O objectivo da esquerda radical ― o bloco de esquerda e o partido comunista cada vez mais “bloquizado” ― é o da atomização da sociedade através da pulverização dos valores que mantêm coesa a nossa sociedade. Trata-se de uma política de terra queimada. Para isso são utilizadas diversos tipos de “ferramentas”, entre estas o argumento falacioso ad Novitatem ― tudo o que é novo é sempre melhor, do ponto de vista racional, do que o antigo.

Trata-se de “baralhar para tornar a dar”, neste caso, de baralhar o povo para depois ditar unilateralmente o sistema através da mudança radical de paradigmas. A estratégia radical contradiz-se amiúde, mas essas contradições são propositadas porque adoptam a “estimulação contraditória” (vide Pavlov) em relação ao povo ― colocado face às contradições da presumível autoridade de direito da elite política radical, o povo, confuso, baralhado e incapaz de identificar e/ou explicar as contradições, baixa os braços e passa a obedecer sem pensar.

No caso da sobrevalorização política da esquerda radical em relação à condição homossexual (entre muitas outras situações de fracturas culturais a que assistiremos num futuro próximo), trata-se também de induzir no cidadão anónimo, e de forma simultânea, o conceito de homossexualidade como objecto de compaixão politicamente induzida e de temor irracional natural, fazendo com que as massas entrem num estado de “dissonância cognitiva” (vide Leon Festinger), o que dá mais uma achega à subserviência e passividade política das massas.

A guerra da esquerda radical contra a nossa sociedade é eminentemente psicológica. As questões fracturantes fazem parte dessa guerra radical movida pela esquerda contra a sociedade. A agenda política gay é de índole diferente, mas não deixa de ser instrumentalizada pelo radicalismo de esquerda, numa espécie de aliança contra-natura.

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